quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Coisas que entristecem

    Bem espero que o vosso fim-de-semana tenha sido tão BOM quanto o meu! Regressada de um óptimo fim-de-semana daqueles que desejamos que o relógio parasse e ficássemos nele por mais um segundo que seja (já não peço a eternidade mas só mais uns minutinhoooos), vir aqui conversar sobre coisas que me têm de um certo modo "aborrecido"  é uma tarefa que tenho vindo a adiar.
    Mas cá estou eu (não vá eu perder as ideias e é aproveitá-las enquanto elas estão fresquinhas) quando por estas horas deveria estar a dormir... Ora são precisamente vinte e quatro horas e vinte e três minutos (e esta hein? e eu vou fingir que publiquei isto a horas decentes, shiuuuu ) e entre o conforto das almofadas e as bolachinhas da  boa noite, como costumo chamar, cá vou eu pôr em pratos limpos o que me tem incomodado. 
    Em primeiro lugar, falemos da crónica que a escritora Margarida Rebelo Pinto escreveu para o semanário "Sol" e que se intitula "As Gordinhas e as Outras". Como não gosto de comentar um assunto sobre o qual não estou informada não o faço antes de realmente saber do que se trata. Por isso quando me deparei com imensas críticas à escritora no facebook, resolvi ir ver ou melhor ler, que raio a dita senhora fez para merecer tanta crítica e levar com tantos juízos de valor e lições de moral. 
   E não demorei muito tempo a perceber quais os motivos para tanta euforia... Vejamos, eu não sou escritora, longe disso! Mas tenho poder critico suficiente para distinguir uma boa escrita de uma má escrita, um escritor que consegue tocar no intrínseco do seu leitor de um escritor superficial.  E desta crónica que li, a única coisa que li desta escritora, por isso não tenho quaisquer alicerces para afirmar em qual género de escritor a senhora se insere mas com toda a sinceridade não fiquei com muito boa impressão da qualidade do conteúdo literário  que a Margarida Rebelo Pinto possa ter nas suas obras... (Esteja eu enganada!)
   Eu sei que todos nós erramos, quem nunca disse algo de uma forma mais "brusca" sem querer? (viva a espontaneidade) Quem nunca teve uma saída infeliz? Pois, bem me parecia...  A todos nós já aconteceu, faz parte da comunicação com os outros nem sempre sermos bem entendidos ou não passarmos de uma forma clara aquilo que nos vai em mente. Talvez tenha sido isso que aconteceu neste caso mas a opinião da senhora pareceu-me bastante transparente para que tenha sido apenas uma mal interpretação do público.     Desde quando é que as "gordinhas", como ela lhes chama são menos Mulheres do que as elegantes e esguias? De onde é que foi buscar esta ideia descabida?
    Não sei se leram mas se não o fizeram, então aconselho a fazerem para saberem do que falo ou para virem manifestar a vossa opinião sobre o assunto. Mas a minha é bastante clara: A senhora não tinha nada na cabeça quando escreveu a  dita crónica, ou melhor talvez tinha... tem a cabeça cheia de preconceitos!
   Uma mulher gorda não é menos mulher que uma mulher fisicamente mais atraente ou com um corpo mais bonito, a condição física é uma vertente importante para a nossa estabilidade, pois está claro! O sentirmos-nos bem com o nosso corpo e com a nossa aparência é um passo para nos sentirmos bem connosco mesmos, mas não é isso que nos define enquanto pessoas, nem enquanto mulheres.
   Este assunto nem merecia discussão mas adiante, por isso não percebo a existência desta senhora ao dizer que as mulheres gordinhas são as Maria-Rapazes, companheiras do sexo masculino nas suas actividades igualmente masculinas, e que só servem para isso mesmo- ver futebol, noitadas boémias e encharcarem-se em cerveja. As boazonas e "giras", essas? Essas servem precisamente para o contrário têm sempre que manter a sua postura de "senhora" com valores educacionais e culturais e das quais as gordinhas morrem de inveja... Hum e as outras são mal educadas? Uma mulher magra não pode ser Maria-rapaz e masculina? E uma mulher gorda? Não pode ser gira, atraente e um símbolo de feminismo?
   Fiquei chocada! É que nunca pensei que houvesse alguém a pensar desta forma... de uma forma tão fútil. Como é que alguém, ainda para mais uma escritora que tem como objectivo chegar com aquilo que escreve às profundezas de  todos os leitores (precisamente mulheres) tem uma opinião tão discriminativa quanto à aparência física?!
  Eu admito que os olhos também comem e se comem! A beleza interior é sem dúvida o mais valioso e importante que alguém possa ter, mas uma pessoa apresentável e gira ganha muito mais pontos do que uma pessoa com uma apresentação não tão favorável, e verdade seja dita! Mas daí a "encaixotar" as pessoas conforme o quão giras são, vai uma pequenina grande diferença.
   Como já disse nunca li nenhum livro da Margarida Rebelo Pinto mas realmente das opiniões que oiço de quem os leu são mais as destrutivas do que  construtivas, e conheço mais gente que não gosta do que aquela que gosta. Mas como não sou pessoa de me influenciar pelas opiniões dos outros e antes pelo contrário, procuro sempre formular a minha própria opinião sobre as coisas, mantive-me neutra quanto à prestação literária da cuja.
   Depois disto... hum depois disto, a minha opinião já não está tão neutra aliás ganhou uns quantos pontos negativos  mas não posso afirmar que para mim seja a PIOR escritora portuguesa como vi muita gente a dizê-lo! Mantenho-me apreensiva, e quando tiver mais conhecimento sobre a matéria aí sim posso afirmar se gosto de a ler ou não, mas espero que esteja redondamente enganada porque é sempre bom descobrir um bom escritor mesmo que em determinada altura nos pareça um acéfalo! 
Vamos ver se um dia destes ganho "coragem" e leio uma obra mas, por favor, que não tenha tanta estupidez quanto esta crónica!



   Outro assunto que me têm deixado triste, é o fim da RTP2 e esta confusão toda da privatização do único canal público que temos. Se a privatização for positiva para diminuir as despesas do Estado, nesta fase de crise,  não vejo que seja algo tão mau assim, mas duvido que seja essa a "intenção" porque o governo só corta com as despesas do Estado em coisas que não deve... Mas não entremos por aí se não ficamos aqui na conversa até amanhã e confesso que o sono já é algum para agora começar a falar dos podres da sociedade na qual estamos inseridos e da ideologia politica de que somos alvo (ai que já faltou mais e daqui a pouco estou a mandar vir, eu bem digo!). Mas acabar com a RTP2 não é ir longe de mais?
   Eu não vejo muita televisão, mas por acaso um dos canais portugueses que mais aprecio ver é este, as outras primas RTP e a SIC Mulher. Bem sabemos que dos quatro canais, aquele que tem menos audiência sempre foi o segundo mas isso é porque vivemos num país muito pouco culto, na minha opinião.. Porque uma pessoa com dois dedos de testa, passo a metáfora, com capacidade de distinguir aquilo que presta daquilo que não presta, consegue ver que este canal na sua grande maioria em comparação com os três restantes, nomeadamente com os dois grandes lideres de audiências (SIC E TVI) é o que dá programas que merecem ser vistos e com interesse cultural. 
  Mas compreendo que isto nem sempre desperte a curiosidade e o interesse das pessoas, porque infelizmente, as pessoas gostam é de ver programas sem qualquer valor intelectual, passo a citar Realy-shows.  Destes há um, ao qual me refiro mais directamente- "Casa dos Segredos" que  na minha opinião é a maior podridão da televisão Portuguesa e a sua versão anterior "Big Brother", como disse um dos meus escritores predilectos- Miguel Sousa Tavares. 
   Eu própria em algumas vezes que fiz zapping parei por uns minutos nesses programa, e não sei se acontece convosco, devendo afirmar que respeito quem goste, mas sinto a vergonha que aquela "gentinha" ali atafulhada numa casa vigiada envolvida em centenas de intrigas e dramas, não sente! Sinto-me envergonhada, ao ver aquela gente, grande maioria, sem nada na cabeça a mostrar o podre da vida delas ali de mão beijada, a viverem disso mesmo e a exporem-se com toda a satisfação.
  Não minto que dei uma olhada pelo primeiro "Big Brother", quer dizer, era pequenina mas ainda vi algumas vezes apesar de a minha família ter a mesma opinião e talvez por influencia dos meus pais eu não suporte este tipo de programas, mas como era novidade ainda passei algumas vezes pelo programa e lembro-me do carismático e engraçado Zé Maria e do barraqueiro do Marco, mas foi o suficiente para que nos meus ternos hum... (8/9 anos?) a minha opinião tenha sido logo esta. 
 Compreendo que estas "poluições televisivas" sejam aquilo que qualquer produtor deseja, porque é isto que faz sucesso entre as mentalidades dos portugueses mas não terminem ao menos com a golfada de ar fresco entre tanta futilidade e superficialidade que passa na TV, que tem o nome de RTP2. 
   Acredito que não seja a única a sentir esta nostalgia, mas este canal traz-me muito boas recordações porque quando era pequenina era lá que passavam os desenhos animados que tanto coloriram os meus dias, que passaram séries juvenis que também me fizeram sonhar e me inspiraram como o "Diário de Sofia" e o "Pica"; que anos mais tarde começou com um formato e um programa único e giro pelo qual me tornei fã no primeiro minuto, estou a falar do "5 para a Meia-Noite"; que nesse intervalo de tempo passaram outros programas giros que se fartaram e engraçados como "A Revolta dos Pastéis de Nata" e o "Sempre em Pé", entre tantos outros como a "Sociedade Civil" sempre muito interessante de se ver e documentários e concertos e.... Porquê terminar com algo que tem tanto para oferecer?
   A conclusão é fácil de se tirar : se terminarem com este canal, a televisão e a cultura portuguesa vão ficar mais pobres. Cada um de nós vai perder. E o valor e o respeito pelo que é nosso vai ser cada vez menor, e isso é triste, muito triste. Eu gosto de ser Portuguesa, mas dêem-me motivos para me orgulhar da nossa tão rica cultura e acabar com a RTP2 não é o caminho certo.

  

2 comentários:

D. à conversa disse...

Em relação à "Escritora", eu já li um livro e sou sincera, na altura (tinha os meus 14 anos) gostei. Mas porque era ainda nova, pouca coisa tinha lido que se chame de Literatura!

Quando esta crónica fiquei chocada e a sentir-me mal! Sim, senti-me mal, porque eu própria tenho um peso a mais e sei o que é ser excluído ou ridicularizado por isso.

Esta senhora deve ter uns complexos!!

Dela não vou falar mais, porque é dar importância a quem não merece!!

No caso da RTP2, é uma questão complicada e política como mencionaste, tenho pena que se torne privado.. Mas se não perder a qualidade qual o mal?

Esperemos para ver no que dão estas mudanças...

The Princess Little Box disse...

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