quarta-feira, 6 de Março de 2013

O que fazer em Istambul em 3 dias?

Finalmente venho aqui descrever (sem grandes pormenores, se não era uma grande seca)  a minha viagem a Istambul! Já estava mais que na hora, certo?


Primeira dica - levem o dinheiro que pensam gastar em €, podem fazer o câmbio por lá, com taxas muito melhores! Caso não levem, é super fácil levantar e existem muitas lojas de câmbio para as trocas!

Voo:
Fomos pela Turkish Ailines, a companhia que faz a grande maioria dos voos para a Turquia. Na reserva pedimos menu ovolactovegetariano e revelou-se bastante saboroso o jantar. Recebemos um chocolatinho em forma de coração, pois fomos no dia dos namorados.
Chegámos a Istambul, perto das 22h, e fomos logo a uma loja de câmbio no aeroporto trocar o dinheiro. Saímos do aeroporto e fomos ter com um funcionário da Agência Abreu que nos levou ao nosso transfer. Chegámos ao Hotel Antik já eram quase meia noite.
Entretanto, tivemos o azar de nos terem dado um quarto com duas camas, mas fomos logo pedir para trocar para um quarto de casal. E, ainda bem, pois esse quarto era mais moderno e mais aconchegante.

Dia 1:
Acordámos eram umas 7h da manhã (mais coisa menos coisa), e depois do pequeno-almoço buffet no hotel (estava incluído no nosso pack) fomos em busca do Palácio Topkapi. Este foi o primeiro sítio que decidimos visitar :).
Decidimos fazer tudo a pé (apesar da chuva), partir à descoberta e deixar-nos mergulhar no mundo turco!

Descemos a rua e deparámo-nos com a Mesquita Azul e a Basílica de Santa Sofia, que ficaram para visitar no dia seguinte. E lá chegámos ao Palácio Topkapi. É muito fácil dar com estes sítios emblemáticos - além de estarem pertinho uns dos outros, estão bem sinalizados nas ruas. O Topkapi divide-se entre o Palácio e a parte do Harém, sendo esta última paga à parte. Seja como for, vale a pena visitar os dois sítios, assim ficamos a conhecer as duas partes que são bem diferentes uma da outra.
Visitamos o Palácio Topkapi de manhãzinha, que se revelou um sítio fantástico e encantador. O luxo era evidente - muitos objectos valiosos , decorações fantásticas, um jardim arranjado e com árvores enormes...sem dúvida um sítio que vale a pena visitar! Seguidamente, mesmo ao lado, estava o Museu Arqueológico. Além de, aproveitarmos para nos aquecermos um pouco do frio, foi interessante ver alguns pormenores referentes à arte Turca. Um Museu que vale a pena visitar, uma vez que fica mesmo ao lado do Topkapi e o seu custo é bastante acessível. A parte de acordar cedo não foi difícil, mas facilmente ultrapassada com a ânsia de descobrir todo aquele mundo novo que se encontrava para lá da porta do hotel. Além disso, permitiu-nos visitar o Palácio numa boa hora, em que a confusão ainda não era excessiva. À saída, o número de pessoas que vinha visitar o palácio era infinitamente maior!


Entretanto, fomos almoçar num restaurante (o nosso primeiro almoço em terras turcas), onde decidimos comer sopa de tomate, pide (pizza turca) e bebemos ayran (género de iogurte líquido natural, mas meio salgado - bebida que eles bebem constantemente)  e chá de maçã, também este muito comum por lá.
Foto da direita - Café Turco

A tarde foi uma "loucura" - decidimos visitar o Bazar das Especiarias e a Grand Bazaar. O primeiro, embora pequeno, estava cheio de pessoas - muitos vendedores, turistas e mesmo residentes ! Tal como o nome indica, neste espaço predomina as vendas de especiarias, mas também podemos encontrar outras coisas como candeeiros e copos tipicamente árabes. Demos uma volta ao Bazar, de modo a "sondarmos" os preços, e finalmente começámos a regatear, acabando por trazer um dos tais candeeiros acima referidos e um conjunto de especiarias, ambos por preços significativamente inferiores àqueles que os comerciantes inicialmente pediam (eles puxam muito o preço para cima). 
Saímos deste Bazar e fomos subindo uma rua, isto sem sabermos bem onde íríamos dar. Apenas seguindo a multidão e a nossa intuição, com a esperança que esta nos levasse ao tão famoso Grand Bazaar. Pois assim foi! Deparámo-nos com um "mercado" gigante, cheio de pequenas ruas e lojas,  onde facilmente nos perdemos (literalmente) Estivemos umas 2 ou 3 horas por lá, sempre à procura dos melhores preços e dos produtos que desejávamos trazer para Portugal. A abundância de produtos "exóticos" é notória, e a vontade de os trazermos para casa ainda maior! Antes de finalmente voltarmos para o hotel parámos (ainda dentro do bazar) para beber um Café Turco. Delicioso ! Muito diferente do café a que estamos habituados, o Café Turco tem um sabor intenso. Além disso, não se mexe (não se preocupem com o açúcar, no momento em que fazem o pedido eles perguntam-vos se querem com ou sem), uma vez que concentra a "borra" no fim. Embora muito bom, o preço praticado nos cafés deste Bazar são excessivos.


Aqui estão algumas das compritas feitas ao longo da nossa odisseia em Istambul:

1 - Kit de especiarias, 2,11 e 14 - Íman Frigorifico, 3,4 e 15 - lápis dos museus. 5, 6 e 16- Olho Turco*, 7 - candeeiro, 8 - tapete, 9 - conjunto de copos, 10 - "burca" (lenço), 12 - Quadro em Madeira onde está representada a basílica de Santa Sofia, 13 - marcador de livro
Nem todos estes produtos foram comprados nos Bazares, mas grande parte sim. Foi sem dúvida o dia de maiores gastos, mas que valeram bem a pena!
Jantámos batido (para poupar umas liras), e decidimos ir dar uma volta e conhecer as ruas "by night". Fomos à Mesquita Azul tirar umas fotos, é tão linda à noite! Super iluminada, e os corvos a voarem em volta de cada um dos grandiosos (6!) minaretes dá-lhe um ar incrivelmente místico. Passear à noite nas avenidas de Istambul é algo de verdadeiramente imperdível!



Como tínhamos comido pouco (e a gula era muita =p), passámos numa pastelaria (de nome Çigdem Pastanesi) com uma montra bem apelativa. Apesar de existirem várias pastelarias por lá, esta revelou-se uma excelente escolha. O atendimento foi excelente e o ambiente bastante acolhedor. Comemos Baklava - doce típico da Turquia, que nada tem a ver com o do Restaurante "Joshua Shoarma". Estes era simplesmente delicioso.


E assim, terminou o primeiro dia.

Dia 2:

Decidimos dormir até um pouco mais tarde. O plano era visitar a Basílica de Santa Sofia (em Turco, AyaSofia) e a Mesquita Azul durante a manhã, e uma vez que o nosso hotel se encontrava tão perto de ambas (cerca de 10-15 mins a pé), não foi necessário acordarmos muito cedo. Seguimos então para a Santa Sofia -  por ser Inverno (e ser ainda cedo - perto das 10h), a fila era pouca, pelo que entrámos rapidamente. Apesar de designada de Basílica/Igreja, a Santa Sofia parece, na verdade, uma mesquita. Apenas durante o seu "início de vida" funcionou com igreja, entretanto convertendo-se a mesquita, e há relativamente pouco tempo (desde 1935) tornou-se no que é hoje em dia - um "museu".
Um espaço lindo que, apesar de estar em obras, demonstra uma arquitectura imponente. Com candelabros gigantes, quadros lindos, e cúpulas enormíssimas, faz-nos pensar como era possível em 500 d.C. construírem-se obras desta dimensão.
Seguidamente, a ideia era visitar a Mesquita Azul. No entanto, naquele momento o acesso ao seu interior estava interdito, uma vez que em determinadas horas do dia a mesquita fecha ao público para a prática do culto Islâmico. Nos seus arredores, haviam vários vendedores com "carrinhos" a venderem milho assado e, para nossa surpresa, castanhas assadas. Além disso, haviam ainda outros que vendiam Sahlep (um preparado de especiarias,  juntamente com leite ou água, servida bem quente e com canela por cima), uma bebida bastante conhecida por lá, deliciosa e uma maravilha para aqueles dias frios que por lá passámos, ao ponto de se ter tornado a nossa bebida favorita!

Obs: Para os que ainda não viram o filme, existem determinadas cenas no Argo filmadas no interior da Basílica de Santa Sofia e no exterior da Mesquita Azul! :)

Imagem exemplo Salep
Fomos almoçar a um restaurante lá perto, ao som do "chamamento para as rezas", algo que nos envolve no espírito daquela cidade. Não foi um grande almoço, pedimos Kebab (em Turco, significa grelhado) Vegetariano, pelo que nos serviram legumes grelhados com arroz. Foi uma desilusão, uma vez que o Kebab é uma das iguarias mais famosas por lá, o que nos levou a acreditar que o vegetariano poderia ser agradável. Para compensar, acabámos por escolher um pão com nutella para sobremesa (isto já fora do restaurante, também este numa "barraquinha" na rua). Finalmente, fomos então até à famosa Mesquita Azul (ou Sultanahmet camii). É, sem dúvida, a construção mais bonita da cidade, e o seu interior não desilude - bastante calmo, aconchegante e de uma beleza única. Para entrar, tivemos de seguir algumas instruções - descalçar, eu tive que pôr a burca, e seguir pela entrada destinada aos turistas.

Mesquita Azul - versão noite. Mesquita Azul - interior

Com o intuito de visitar a chamada "parte nova" da cidade, apanhámos o Tram (estilo metro de superfície), tendo de seguida apanhado o Funicular (metro subterrâneo automático, de uma única paragem), tendo finalmente chegado a Taksim - uma enorme praça, a fazer lembrar a zona da Baixa Lisboeta.  Atravessámos a Istiklal Caddesi, aquela que é provavelmente a rua mais conhecida da cidade, muito grande, cheia de lojas e pessoas (imaginem um cruzamento da rua Augusta com o estilo de Nova York). A caminhada pela rua levou-nos à Torre de Galata, o ponto mais alto de Istambul, que nos permite ter uma vista panorâmica de toda a cidade. O preço de entrada é um pouco alto e os funcionários não foram simpáticos, mas a vista é linda. Não sei se compensa o custo e o tempo de espera. Lá em cima, o frio era de cortar a respiração, pelo que não conseguimos lá ficar muito tempo. Em suma, a parte nova da cidade, mais moderna, não se revelou tão interessante como a parte histórica, embora também tivesse claramente valido a pena visitar.
Por fim, fomos a pé para "casa" :). Atravessámos a Ponte de Galata, uma ponte cheia de pescadores e que por baixo tem montes de restaurantes que vendem sandes com o peixe acabado de pescar! É giro ver estes pequenos pormenores, como é diferente da nossa cultura.
O jantar desse dia foi no restaurante do Hotel, bastante saboroso e requintado, e nada caro para um "restaurante de Hotel".
Bilhetes dos sítios e cartão do Hotel

Dia 3:

Último dia em Istambul. Decidimos fazer o Cruzeiro no Bósforo, de modo a passar um dia mais descontraído e a conhecermos o lado Asiático de Istambul (para quem não sabe, Istambul é a única cidade do mundo que se divide entre o continente Europeu e Asiático!). Uma vez que o cruzeiro era às 10h, saímos do Hotel perto das 8h30, pois fomos a pé até ao porto. No entanto, optámos por ruas "secundárias", de modo a fazermos o caminho mais directo, o que se revelou numa verdadeira aventura - quando demos conta, estávamos numa rua com mais de 100 homens e nem uma única mulher. Ninguém nos incomodou, mas não deixou de ser uma situação um pouco constrangedora.
Apanhámos o barco, e lá partimos rumo ao outro lado. Vimos coisas lindas pelo caminho, sítios diferentes, emblemáticos e que nos despertaram a curiosidade para uma futura visita.
Chegámos eram 12h15, e começámos por subir um monte rumo ao topo, de onde viemos a avistar o sítio onde o rio Bósforo intersecta o Mar Negro - uma vista fabulosa! Descemos a "montanha", de volta à vila, onde iríamos ficar durante 2 horas. Vimos umas lojinhas (tem poucas) e comemos numa "tasca" que tinha a bandeira Portuguesa afixada. Não tinha um único turista, revelando-se assim, mais calma e confortável que os outros sítios em que passávamos. Encontravam-se lá residentes a jogar jogos de mesa. Foi um almoço bastante agradável, dando para nos mantermos quentinhos e confortáveis enquanto não chegava  a hora da partida.
Voltámos para a parte Europeia, e encontrámos esta vista fabulosa (foto da direita).





Uma vez que era o dia da "despedida", decidimos ir jantar fora. Para nosso azar, fomos jantar ao restaurante mais visualmente "apelativo" da rua, com uma decoração bem etcnica, uma senhora velhinha logo na entrada a "cozinhar" e a propaganda de ser um restaurante de cozinha tipicamente Turca. Ao nível da qualidade/preço, foi talvez o pior restaurante que visitámos.A comida não era má, mas os preços eram exorbitantes, e os funcionários nada simpáticos. Comemos bastante rápido e saímos de lá mal acabámos de comer.
Mas a diversão não se ficou por aqui! Decidimos dar um último passeio pela zona do Hipódromo (onde se localiza a Basílica de Santa Sofia e a Mesquita Azul), tirámos mais umas fotos, bebemos mais um Sahlep. Por fim, voltámos à pastelaria do 1º dia. E para nossa surpresa, o funcionário reconheceu-nos! :). Fez-nos uma festa quando nos viu. "Para variar", comemos Baklava, desta vez uma versão diferente (existiam pelo menos 3 variedades de Baklava) e bebemos Ayran. Voltámos para o Hotel já passavam das 23h.

Volta:

A hora do transfer para o aeroporto "obrigou-nos" a levantar bastante cedo, uma vez que nos vieram buscar às 07h30. Deixámos gorjeta à senhora da limpeza, muito simpática e deixava-nos o quarto sempre impecável.
Chegámos muito cedo ao aeroporto e andámos a ver lojas e a gastar as últimas liras turcas. Acabámos por comprar mais umas coisitas, mas para minha tristeza não encontrei nenhum lápis a dizer "Turquia" ou "Istambul" (para a minha colecção)
À hora certa, fomos para o nosso avião e lá voltámos para Portugal. Um voo longo e chato, como era de esperar... pois para trás ficaram as memórias, os sítios místicos e  românticos, diferentes, uma cultura maravilhosa e a saudade de todos os momentos maravilhosos vividos nestes dias! 

Por conhecer, ficou o Palácio Dolmabahçe (apenas o avistámos ao longe, durante o cruzeiro, e pareceu-nos um sítio também ele imperdível), e a zona mais citadina da parte Asiática da cidade, uma vez que apenas conhecemos uma vila em solo Asiático. Assim, ficámos com dois excelentes pretextos para um dia voltar à cidade mística que é Istambul!



* O Olho Turco é um objecto típico da Turquia, que segundo dizem , dá Sorte. Por lá, vê-se este objecto por todo o lado.

PS: Para quem pretenda visitar Istambul, aconselho vivamente a irem 5 dias, como nós fizemos. O voo de ida chega demasiado tarde a Istambul, e o de volta parte demasiado cedo. Por isso, em nenhum destes dias pudemos passear para conhecer a cidade. Posto isto, ficámos com 3 dias inteiros para conhecer a cidade divinal que é Istambul, o que se revelou perfeitamente suficiente

6 comentários:

André Correia disse...

Que sonho ! :D

Anónimo disse...

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D. à conversa disse...

Sonho mesmo meu amor :D

M. à conversa disse...

Aqui deste lado fiquei cheia de curiosidade de conhecer Istambul e partir à aventura um dia destes ;) Que bela viagem! Achei piada porque tenho um olho turco igualzinho a esse, aliás tenho mais que um e tenho também um conjunto de colar e pulseira cheio de "olhinhos" vindos directamente da Turquia à muitos anos :) Segundo eles, combate o mau olhado. Será verdade? :) Beijinhos

D. à conversa disse...

Tens o olho amiga? ehehe. Que giro :P.
Sim, segundo dizem combate o mau olhado..vamos acreditar que sim!
O objectivo é mesmo que fiquem curiosos :).
Uma viagem que vale sem sombra de dúvidas a pena =D

M. à conversa disse...

Tenho imensos, todas as vezes que o meu pai vai à Turquia traz :)